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22/11/2018

Revista Carro Mais: Chevrolet Opala completa 50 anos



Modelo foi de exemplo de requinte e sofisticação a ícone de esportividade, e até hoje é cultuado por fãs de diferentes gerações
No Salão do Automóvel de 1968, o Chevrolet Opala, primeiro GM de passeio fabricado em solo nacional, foi apresentado com muita pompa e prestígio. O ex-piloto de Fórmula 1 Stirling Moss veio da Inglaterra especialmente para a ocasião, um sábado, 23 de novembro, quando dividiu o estande da marca com diversas misses brasileiras. O modelo chamou atenção pela imponente grade dianteira, com frisos cromados na horizontal, rodas cromadas com sobrearo, assim como pelas linhas no formato Coke Bottle (“garrafa de Coca-Cola”), semelhantes às de modelos norte-americanos como o Chevy Nova.
“A Chevrolet encontrou uma lacuna no mercado, pois era um carro confortável, confiável e acessível. Oferecia luxo, sem ser uma daquelas banheiras como o Ford Landau”, avalia Roque Gonçale, presidente do Clube Chevrolet.
A primeira geração do modelo, sedã quatro portas, trazia duas versões: a Standard, com acabamento mais simples e motor 4 cilindros 2.5 de 80 cavalos, e a Luxo, com um seis cilindros 3.8 de 125 cavalos sob o capô. O que, à época, era bastante coisa, especialmente no caso de um veículo com tração traseira – o que fez com que as arrancadas tornassem-se sua marca registrada. O Opala foi alçado ao posto de carro de um dos carros mais potentes do Brasil, perdendo apenas para o maior Galaxie 4.6 (164 cv). O Dodge Dart 5.2 (198 cv) surgiria só no ano seguinte (1969). Vale lembrar que ambos eram V8.



O modelo foi anunciado exatos dois anos antes de seu lançamento, em 23 de novembro de 1966, em uma coletiva de imprensa no Clube Atlético Paulistano. Como o modelo ainda estava em desenvolvimento, foi divulgado apenas como Projeto 676, o que aumentou ainda mais a expectativa pelo Chevrolet. Meses antes de sua estreia no Salão do Automóvel, comerciais com Jair Rodrigues (cantor), Tonia Carrero (atriz) e Rivellino (jogador de futebol) vinham sendo veiculados com o slogan: “Espere um pouco mais, o seu carro vem aí”. “Ah, é sensacional!”, definia o então meia-esquerda do Corinthians, aos 22 anos.
Após testes com os Opel Kadett e Olympia, optou-se por um projeto de carro maior. O modelo combinava a carroceria do alemão Opel Rekord C com o motor básico do norte-americano Chevrolet Impala – o que pode ter originado seu nome, pois, além de designar a pedra preciosa nativa brasileira, a palavra Opala também é uma junção de Opel e Impala.
A decisão de fabricar o primeiro Chevrolet nacional havia sido tomada no início daquela década, junto ao Geia (Grupo Executivo da Indústria Automobilística), criado pelo presidente Juscelino Kubitschek.
No final de 1970, quando já alcançava 50 mil unidades vendidas, o Opala estreou na versão cupê SS, sigla para super sport (super esportivo). O icônico motor de 4,1 litros, que estreou nesta versão, somado a acessórios esportivos, como faixas pretas no capô, mostrava ao que o modelo tinha vindo pronto para brigar com o recém-lançado Dodge Charger R/T. “Quando foi lançado o Opala 250-S [1976], os V8 como o Maverick GT tinham que rebolar para conseguir acompanhar”, diz o piloto Paulo Gomes, relembrando o antológico motor laranja que rendia até 171 cavalos na versão de série e muito mais quando preparado.
Em 1979, atrás do volante de um Opala, Paulão se tornou o primeiro campeão na história da Stock Car. O modelo, usado na categoria até 1993, um ano depois de sair de linha, protagonizou momentos épicos sob o comando dele, além de Ingo Hoffmann e Afonso Giaffone Júnior, principais pilotos da época. “Era o carro do momento, na principal categoria do país. Chegava a 280 cavalos e não tinham uma preparação muito sofisticada. Você tinha que ficar esperto para não sair de traseira, especialmente antes de 82, quando o pneu slick substituiu o radial e o carro ganhou muito em desempenho”, comenta Paulão, que, entre cupês, sedãs e station wagons (a também clássica Caravan, lançada em 1976).


A paixão pelo Opala não só é um fenômeno atual, prestes a completar 50 anos, agora esse mês no dia 23 de novembro, o modelo ganhou sua própria categoria. Em 2015, Paulão Gomes lançou a Old Stock, modalidade de passeio onde só correm Opalas fabricados entre 1975 e 1979. Com oito etapas anuais, todas no autódromo de Interlagos, a competição reúne, em média, 22 carros na disputa.
Em quase 24 anos de operação, a GM produziu cerca de 1 milhão de Opalas. Além do uso como veículo de passeio e carro de corrida, o modelo foi incorporado às frotas de diversas organizações do país. Incluindo Caravan, o modelo serviu de ambulância, rabecão, viatura das polícias Civil, Militar e das guardas municipais, carro de resgate do Corpo de Bombeiros e até carro oficial da Presidência da República.
Com 1 milhão de unidades produzidas, o Opala faz parte da história do Brasil no final do século 20. O modelo saiu de linha dois anos após o ex-presidente Fernando Collor abrir os portos para importação e chamar os carros brasileiros de “carroças”. Nesse período, o Opala já era um projeto antigo, construído sobre uma plataforma alemã da Opel. Não era mais viável mantê-lo em fabricação, então fazia mais sentido fabricar o Omega, já sobre monobloco, que reunia tudo que tinha de mais avançado em tecnologia da montadora. Quando o último Opala foi pintado, em 15 de abril de 1992, vários fãs do modelo saíram em carreata ao redor da sede da GM, em São Caetano do Sul (SP) , como forma de protesto. Se algum movimento do tipo fosse ocorrer hoje, reunindo as diferentes gerações que se sentem órfãs do Opala, não teria carro (nem rua) para tanta gente.
Em nossa região não poderia ser diferente para o cultuado carro da Chevrolet o Opala tem uma legião de fãs, o Clube Opaleiros Londrina comandado por Denis dos Santos Goulart conta com quase 200 integrantes, dos quais aproximadamente cem compareceram na última etapa da atual Stock Car no Autódromo de Londrina a convite da organização da prova. “Realizamos eventos mensais para manter viva essa importante história automotiva brasileira, todo primeiro domingo do mês agora no Posto Opala 29 em Cambé”.


Não poderíamos deixar de fora nomes como Alexandre Carcaça mecânico e piloto de arrancada o qual é especialista em Chevrolet Opala quatro e seis cilindros, deixou muita gente "comendo poeira" no Autódromo Internacional Ayrton Senna e já prepara um Opala que estreará no começo de 2019. Diego Cunha mecânico e preparador e o piloto Gil Trovo que estão com seus Opalas na Lista Área 43, com os carros mais rápidos da região. Destacamos ainda lendas da arrancada nacional como André Bearzi, piloto de arrancada que fez história a bordo do Opala 29, preparado por Geraldo Simoni, considerado como um dos melhores do Brasil em preparação automotiva.



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